A Individualidade do Espírito


“O ser humano é herdeiro das suas próprias realizações através dos tempos,

que permanecem armazenadas nos refolhos do ser eterno que é.”

Joanna de Ângelis


“Após a morte, a alma volta a ser espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que havia deixado temporariamente. A alma, após a morte, conserva a sua individualidade. De fato, ela jamais a perde.”

“A alma continua a ter a sua individualidade por ter ainda um fluido que lhe é próprio. Tal fluido é tomado da atmosfera do seu planeta, e representa a aparência da sua última encarnação: seu perispírito.”


As informações acima foram extraídas do Livro dos Espíritos, perguntas 149, 150 e 150a. As respostas dadas pelos espíritos demonstram, portanto, que tanto a individualidade como a nossa identidade proveem do espírito.


O nosso corpo biológico é fornecido pelos nossos pais, que fornecem os elementos necessários para que seja formado o invólucro do nosso espírito. Portanto, embora estejamos, durante cada encarnação, presentes no corpo que habitamos naquele momento, não somos esse corpo, pois continuamos sendo espíritos individuais.


A cada encarnação desenvolvemos novas aptidões naturais a fim de nos adequarmos à vida que estamos vivendo naquele momento da nossa existência. Tudo isso é passageiro, embora vá ficar arquivado posteriormente à nossa desencarnação, a fim de que em algum momento futuro possamos recorrer a essas lembranças para entendermos um pouco melhor a nossa trajetória.


Quando olhamos para uma pessoa, a primeira coisa que vemos é o seu corpo físico, mas isso não significa que de fato conhecemos a criatura, pois seria muita pretensão acharmos que conhecemos alguém com profundidade. O próprio ser, na maior parte das vezes, tampouco se conhece, pois, saber coisas básicas sobre si não significa que alguém se conheça verdadeiramente.


Segundo uma reflexão do espírito Joanna de Ângelis, a individualidade de cada um é o resultado das próprias conquistas e também dos fracassos que ocorreram ao longo da caminhada. Os acontecimentos podem moldar a nossa personalidade positiva ou negativamente, dependendo do quanto estamos comprometidos com valores morais, ética e com a verdade. A personalidade não requer uma profunda transformação, podendo ser dissimulada, pois podemos nos mostrar ao mundo como desejamos. A individualidade, por sua vez, é algo que está no interior do indivíduo; conforme ele evolui e desenvolve valores, esta se aprimora cada vez mais. A autora espiritual sugere que tentemos evoluir por fora conforme evoluímos por dentro, a fim de que a nossa aparência externa seja o reflexo do nosso mundo interior. Por fim, ela diz que é necessário que nos esforcemos para que a individualidade e a personalidade estejam em harmonia para que sejam refletidos os ideais de beleza e de amor que nos fortalecem.

O espírito Miramez afirma que “o espírito conserva a sua individualidade em todas as dimensões onde é chamado a servir”, e comenta sobre a ideia que alguns têm sobre um único espírito animando vários corpos. Ele diz ainda que “a individualidade do Espírito é o ponto alto da sua felicidade; mostra as experiências em evidência, recolhidas no tempo e no espaço, e leva o selo do esforço próprio, acompanhando as bênçãos de Deus”. A maneira de trocar de corpos é por meio da reencarnação, o que ocorre tantas vezes quantas sejam necessárias a fim de evoluirmos, porém ocupamos um corpo por vez. Também não é possível que um espírito ocupe um corpo que já pereceu. É por isso que precisamos distinguir a diferença entre reencarnação e ressurreição, uma vez que extintas as funções biológicas, e desligados os laços que ligam o corpo espiritual ao corpo físico, já não é possível fazer com que o corpo físico volte à vida.


“Assim como Deus é uno, uma Unidade de Luz, nós somos uma individualidade que resiste ao tempo e ao espaço, sem que surjam divisões em nós. Pelo contrário, o tempo vem garantir cada vez mais a nossa unidade interna. Deus assim nos fez, instituiu a lei que nos garante a individualidade eterna e a imortalidade”. (Miramez)


A fim de reforçar a ideia da individualidade do espírito, vejamos o que nos diz o Livro dos Espíritos.

151. O Que pensar da opinião de que, após a morte, a alma retorna ao todo universal?

– O conjunto dos Espíritos não forma um todo? Não constitui um mundo completo? Quando estais em uma assembleia, sois parte integrante dessa assembleia e, entretanto, sempre conservais a individualidade.


152. Que prova podemos ter da individualidade da alma após a morte?

– Não tendes esta prova por meio das comunicações que obtendes? Se não fosseis cegos, veríeis; e, se não fosseis surdos, ouviríeis, pois frequentemente uma voz vos fala e revela a existência de um ser fora de vós.


Comentário de Kardec:

Aqueles que pensam que na morte a alma retorna ao todo universal, estão errados, se por isso entenderem que, semelhante a uma gota d’água que cai no oceano, perde a sua individualidade. Porém, estarão certos se entenderem pelo todo universal o conjunto de seres incorpóreos, do qual cada alma ou Espírito é um elemento.

Se as almas não se diferenciassem todo, teriam apenas as qualidades do conjunto, e nada poderia distingui-las umas das outras; não teriam nem inteligência, nem qualidades próprias. Porém, muito ao contrário disso, em todas as comunicações demonstram ter consciência do seu eu e uma vontade própria. A diversidade que apresentam em todas as comunicações é consequência da sua individualidade. Se após a morte houvesse somente o que se chama de o grande Todo que absorve todas as individualidades, esse Todo seria uniforme e, então, todas as comunicações do mundo invisível seriam idênticas. Uma vez que lá se encontram seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e infelizes, e de todas as espécies: alegres e tristes, levianos e sérios etc., é evidente que são seres distintos. A individualidade torna-se ainda mais evidente quando esses seres provam a sua identidade por manifestações incontestáveis, por detalhes pessoais relativos à sua vida terrena que se podem comprovar. Também não pode ser posta em dúvida quando tornam visíveis em suas aparições. A individualidade da alma nos foi ensinada em teoria, como um artigo de fé. O Espiritismo a torna evidente e, de certo modo, material.


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Referências:

KARDEC, Allan; Tradução de Renata Barboza da Silva e Simone T. N. Bele da Silva. O Livro dos Espíritos, Capítulo 3: Retorno da vida corporal à vida espiritual, questões 149 a 152. 2ª edição. 2ª reimpressão, 1999. São Paulo-SP: Editora Petit

MIRAMEZ, Psicografia de João Nunes Maia. O Livro dos Espíritos comentados pelo Espírito Miramez. Filosofia Espírita Volume 3. Questão 137 comentada. Capítulo 35. 0137/LE Individualidade. Belo Horizonte-MG: Editora Espírita Fonte Viva

DE ÂNGELIS, Joanna, Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Momentos de Coragem. Capítulo Ser e Parecer. Salvador-BA: Editora Leal

DE ÂNGELIS, Joanna, Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Vida: Desafios e Soluções. Salvador-BA: Editora Leal


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