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Para perdoar é preciso esquecer?


Por: Julia Thaís Porciúncula Serra


Você consegue esquecer todo o mal que as pessoas fazem a você quando perdoa? Difícil né? Principalmente quando vem acompanhado de verdades que te magoam, de alguém há quem você tem muito apreço. Perdoar não é só o bem para o próximo, perdoar é querer o próprio bem, a partir do momento que você perdoa, consegue parar de reviver a dor e parar de se machucar, você se permite viver em paz sem se prender a desavenças.


Esquecer é necessário para que você consiga seguir em frente, sem desejar o mesmo mal para o próximo, conseguir olhar e não sentir raiva. A partir do momento que você consegue perdoar o outro, você perdoa a si mesmo e o seu progresso e evolução se tornam livres. Não podemos evitar que o outro nos machuque, seja nessa encarnação ou na outra. Se a desavença aconteceu em vida passada porque trazer uma dor a essa? Se for nessa presente encarnação, porque não perdoar para que não tenhamos amarras para uma futura?


Em uma passagem no “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. X “Não julgueis, a fim de não serdes julgados; porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros; empregar-se-á convosco a mesma medida de que vos tenhais servido para com os outros (Mateus, 7:1 e 2.)” (KARDEC, 2013, p. 145).


Não podemos ficar pensando sempre, será que eu estou pagando na mesma moeda? Será que fiz isso? Ou fiz pior? Não podemos ficar pensando em perguntas que só atrasariam mais ainda o nosso desenvolvimento, saber a resposta de todas elas fará mesmo o bem para você? Ou te deixaria ainda mais magoado ou decepcionado? Nem sempre precisamos resolver todas as questões para só então colocar um ponto final. Apenas perdoar de coração e esquecer o que passou, o ofensor terá suas consequências e aprendizados. Não devemos esperar por isso, não podemos desejar ao próximo aquilo que ele nos fez, conseguir perdoar o mal, seja uma traição, uma ofensa, um abuso... Conserva sua dignidade, continue sendo quem você é, siga em frente sua vida, perdoando e esquecendo, sempre propagando o bem.


Outra passagem importante no O Evangelho Segundo o Espiritismo relata que “Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era. Perdoai, pois, meus amigos, a fim de que Deus vos perdoe, porquanto, se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tendes de indulgência? Oh! ai daquele que diz: “Nunca perdoarei”, pois pronuncia a sua própria condenação” (KARDEC, 2013, p. 147).


Na obra, Alguém Me Viu Aqui, publicada pela Editora Letra Espirita, e agora peça de teatro em cartaz, inicialmente retrata a história de Maria Eduarda que foi brutalmente assassinada e que não consegue se desprender de seu passado misterioso, logo depois o encontro de um grupo jovem, uma médium que não sabe e não entende sobre sua mediunidade, e de como a vida desses jovens podem se entrelaçar. Mas o foco principal que precisamos é sobre o perdão. No decorrer da leitura percebemos o que cada jovem aprendeu, e de como o processo para cada um foi diferente, além de falar e mostrar a importância do perdão, o livro relata que cada Espírito tem seu próprio tempo, e como é necessário que você aprenda que o perdão é a chave de tudo, e esquecer é preciso. É uma ótima leitura para que você possa pensar sobre o assunto.


Nos perguntamos se: não seria melhor nunca mais encontrarmos os espíritos que tivemos desavenças para que não aumente nossas dívidas? A resposta é óbvia, não. Precisamos entender que vivemos em sociedade e precisamos lidar com o próximo. Além de saber que o perdão só fará bem a você mesmo e de como você consegue se amar acima de tudo, capaz de perdoar ofensas e esquecer, não para livrar o próximo de seus efeitos, mas simplesmente, para o seu próprio bem.

E não esquecer nunca que o maior beneficiário do perdão, é o ofendido, uma vez perdoando e conseguindo se libertar dos sentimentos ruins é capaz de progredir a sua evolução, propagando o bem e servindo ensinamentos.


Ainda sobre O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem, com referência ao seu adversário: “Eu lhe perdoo”, mas, interiormente, alegram-se com o mal que lhe advém, comentando que ele tem o que merece. Quantos não dizem: “Perdoo” e acrescentam: “mas não me reconciliarei nunca; não quero tornar a vê-lo em toda a minha vida.” Será esse o perdão, segundo o Evangelho? Não; o perdão verdadeiro, o perdão cristão é aquele que lança um véu sobre o passado; esse o único que vos será levado em conta, visto que Deus não se satisfaz com as aparências. Ele sonda o recesso do coração e os mais secretos pensamentos. Ninguém se lhe impõe por meio de vãs palavras e de simulacros. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade. Não olvideis que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras” (KARDEC, 2013, p. 148).


Para te ajudar a lidar melhor: exercite a prece, faça preces sobre perdão para espíritos encarnados e desencarnados, peça harmonia na sua vida e leveza em seu coração, para que consiga esquecer. Lembre-se sempre que você é um ser de luz capaz de evoluir para melhor, que seus defeitos e erros podem ser perdoados e amados, basta você se perdoar acima de tudo. Esquecer é conseguir seguir em frente com sua própria vida, sem sentimento de culpa, dor ou vingança. Esquecer é você se olhar com carinho e entender que a partir do momento que você perdoa alguém de coração, se livra de amarras que podem prejudicar somente a você mesmo, esquecer é não adoecer.


Não se culpe pelo seu passado, não se vitimize. Nada acontece por acaso e tudo nessa vida é passageiro. Você é capaz de evoluir e se amar.


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Referência:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131º ed. Brasília: FEB – Federação Espírita Brasileira, 2013.


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