Entrevista


Abaixo transcrevemos a entrevista realizada com Marco Aurélio Giangiardi, produtor do filme “Portal dos Sonhos”:


Marco Aurélio nos fale um pouco sobre você e a respeito da sua trajetória profissional, de como encontrou o cinema e a forma como isso influenciou a sua vida.

Ao longo dos meus 43 anos de trabalho, atuei no setor empresarial nas áreas de finanças, vendas e marketing. A minha formação acadêmica nas áreas de biologia e química me proporcionaram também dar aulas destas matérias em várias escolas e cursinho pré-vestibular. Em 1998, abri uma consultoria de treinamento empresarial onde pude trabalhar com médias e grandes empresas. Atualmente, até para ter tempo para o projeto, mantenho-me focado numa loja de embalagens e descartáveis de nossa propriedade. Já o cinema veio como consequência da dificuldade em trabalhar junto à sociedade de temas complexos como suicídio e aborto; no qual, através do teatro, que já fazíamos há quase vinte e cinco anos, porém, os resultados eram poucos. Daí, por inspiração da espiritualidade, fomos buscar a linguagem do cinema como ferramenta de divulgação de informações importantes. Os resultados atuais mostram que a decisão foi correta. Hoje, não me imagino utilizando outra ferramenta que não seja a do áudio/visual pela sua abrangência e força.


As produções com teor espírita estão em alta na atualidade, a começar pelas telenovelas e, de uns anos para cá, com filmes. O que você acha da popularização deste gênero?

Entendo que a Doutrina Espírita no Brasil tem um grande desafio, a saber: não ficar fechada entre quatro paredes nas casas espíritas. Sempre fui um defensor de atividades externas às casas para divulgação daquilo que sabemos sobre a vida espiritual. Há grandes barreiras a serem rompidas neste sentido. Filmes e telenovelas ajudam a fazer este trabalho de externalização da Doutrina. Entretanto, há certos cuidados a serem tomados: como muitos destes trabalhos tem objetivos financeiros, podem sofrer a influência para que certas coisas sejam acrescentadas a fim de tornarem a produção mais atraente à plateia. Muitos destes acréscimos podem não representar a verdade. Mas de uma forma geral, entendo ser um ótimo instrumento de divulgação da doutrina espírita.


Como surgiu a oportunidade de realizar o filme “Portal dos Sonhos”?

Trabalhamos por mais de vinte e cinco anos com peças de teatro espírita abordando temas difíceis e complexos como suicídio, aborto e uso de drogas. Portal dos Sonhos era uma destas peças. Um certo dia, após uma apresentação teatral no Teatro Municipal de Limeira em São Paulo, percebemos que não conseguiríamos mais, com o teatro, alcançar bons resultados. A falta de apoio e as dificuldades eram muito grandes e os palcos nos restringiam a públicos pequenos. Daí, numa reunião que fizemos buscando alternativas, falamos quase ao mesmo tempo “Vamos fazer cinema”. Com certeza não tínhamos noção nenhuma do que estávamos propondo para nós. A partir dali, começamos a estudar o assunto, fazer cursos, aprender muitas coisas, conhecer profissionais da área, por muito dinheiro do próprio bolso e disponibilizar muito tempo particular para a realização do projeto. O projeto demorou cinco anos para ser concretizado.


O que mais lhe marcou durante as gravações do filme “Portal dos Sonhos”? Qual foi a cena mais emocionante?

Quando concluímos o roteiro do filme, adaptando-o do teatro para o cinema – fiz um curso para aprender isso – Julgamos quase impossível concretizá-lo, tamanha a complexidade que o roteiro solicitava, principalmente nos quesitos: locações e efeitos especiais. Profissionais da área de cinema para os quais tivemos a chance de apresentar o projeto tentaram nos desmotivar. Diziam que seria impossível realiza-lo com o que tínhamos de recursos financeiros – praticamente nada – e conhecimentos no assunto. Daí, para mim, o mais marcante durante todo o processo de produção do filme foram os recursos que o plano espiritual nos disponibilizava para resolver os nossos inúmeros desafios. Além disso, a dedicação de toda a equipe tanto no set de filmagem, como fora dele, para que tivéssemos a melhor qualidade possível.

A cena mais emocionante e impressionante foi aquela em que a Karen esta levando a arma em direção a sua cabeça. Naquele momento ela começa a chorar convulsivamente. A maravilhosa atriz – Kattieli Faleiro – não estava interpretando naquela hora. Ela chorava mesmo, convulsivamente. Antes de dar um ok para a gravação da cena, alguma coisa aconteceu em níveis vibratórios que tornou o ambiente do set totalmente energizado. Tomei a decisão de deixar a câmera no plano geral pois senti que não conseguiria reproduzir novamente aquele estado emocional da personagem. Foi incrível.


Você sentiu o amparo da espiritualidade no projeto? Conte-nos mais sobre.

Posso garantir, sem falsa modéstia, que o projeto foi da espiritualidade e não nosso. Os recursos e os profissionais necessários para produzirmos o filme foram surgindo de tal maneira que não temos como pensar diferente. Um bom exemplo foi o profissional que produziu os efeitos especiais do filme – Gustavo Carvalho. Como eu disse, quando concluímos o roteiro, percebendo o grande número de efeitos especiais que o filme exigia, julgamos que não teríamos como fazê-los. Daí a poucos dias, fomos eu e o Val, fazer um curso de produção cinematográfica. Foi nele que conhecemos um aluno que estava ali porque, segundo ele, não tinha o que fazer em sua casa. Este aluno era exatamente o Gustavo de Carvalho, mestre em efeitos especiais. Explicamos o projeto para ele que, por sua vez, topou imediatamente trabalhar no nosso filme. Isso só aconteceu três anos depois. Outras situações como esta foram se tornando rotineiras. Onde havia dificuldades apareciam “por milagre” soluções. Quem operava estes milagres, nós sabíamos, era o plano espiritual.


Qual era sua relação com a Doutrina Espírita antes de começar a trabalhar no filme?

Sempre fui um trabalhador da Doutrina Espírita. Seja como palestrante, professor, trabalhador de campo. Porém, dedico-me há anos para levar a Doutrina para fora das casas espiritas buscando a sociedade como um tudo. Não gosto da ideia do consolador prometido confinado entre quatro paredes. Fui o criador da “Caminhada Espírita de Alerta Contra o Suicídio”. Fizemos cinco edições da mesma. No entanto todas foram um grande fracasso, principalmente em função desta dificuldade dos espíritas em sair de dentro das suas instituições, a fim de apresentar suas convicções e bandeiras à sociedade.


Karen é a personagem central do filme. Como você realizou a seleção de atores para o projeto? Como foi a construção desta personagem central?

Construímos a Karen dividindo o trabalho em quatro momentos da personagem a saber: Primeiro: Karen enquanto menina tímida e ligada à família, quase ingênua. Segundo: Karen mulher, sexualmente ativa e egocêntrica, focada em sua carreira e nas atenções que o chefe lhe proporcionava. Terceiro: Karen traída, abandonada, sofredora e envergonhada, buscando o auxílio da família. O quarto momento é o da Karen mãe. Insegura com o futuro e com o destino do seu filho deficiente.

Em relação à seleção do elenco, com certeza, é uma longa história. Não tínhamos dinheiro para pagar os atores. Fizemos anúncios no guia dos atores e escolas de interpretação. Vários atores mandaram seus currículos e confirmaram presença no dia 12 de junho de 2016, quando iriamos apresentar o projeto aos interessados. Poucos vieram, mas os que vieram eram aqueles que deveriam estar lá. Todos que foram nesta reunião se empolgaram com o filme e se inscreveram para testes. Selecionamos praticamente todos. Fizemos outra reunião de seleção, mas não obtivemos bons resultados. Alguns atores, como o Giacomo Pinotti que já havia atuado em novelas da Rede Globo, eram conhecidos nossos e bondosamente, mesmo sem remuneração, se propuseram a nos ajudar na causa que o filme abraçava. Há outras situações interessantes neste quesito, mas ficarão para uma próxima oportunidade.


Os temas centrais da história são o aborto, o suicídio e a reencarnação, assuntos bastante polêmicos e que tem gerado muitos debates em nossa sociedade atualmente. Que tipo de reflexão você espera que o filme leve ao público?

O número de suicídios e abortos desnecessários, atualmente, são absurdos. Fizemos um filme para gerar dúvidas na cabeça destas pessoas que pensam em se destruir ou destruir que é o caso do aborto. Será que realmente tudo acaba após a morte? Continuaremos após um suicídio? Como? E quanto ao aborto? Será que esta vida que está vindo não tem uma razão de estar ali? Estamos convictos, até pela experiência do teatro, que a dúvida na mente dos incautos pode salvar as suas vidas. O filme é para isso.


Como foi a recepção do filme? Atualmente o mesmo conta com mais de 200 mil visualizações no Youtube.

A recepção está sendo muito boa. É claro que muitos assistem esperando encontrar no filme apenas entretenimento e querem no filme algo na linha da Marvel. O filme não foi feito para isso e daí algumas críticas. Porém, a maioria das pessoas está enxergando em Portal dos Sonhos um instrumento de trabalho. Uma ferramenta para agir junto a amigos, alunos, familiares que nutrem ou poderão nutrir ideias destrutivas. Sempre dizemos que “Uma Doutrina que veio para consolar não pode se esquecer de quem mais precisa dela”. No momento já temos mais de 250.000 visualizações. Quero registrar algo: Exceto o Letra Espirita e um ou outro dirigente, a maioria dos dirigentes espiritas não está nos apoiando em nada apesar de nossos apelos. Fecharam suas instituições a ponto de não permitirem que encaminhássemos cartazes para divulgar o filme. Negam-nos espaços para palestras onde poderíamos explicar melhor o projeto. Enxergam-nos como uma ameaça à sua dominação local. Quem fala tanto em caridade deve aprender a executá-la.


Deixe um recado para nossos leitores.

Muitos nos falaram que seria impossível realizar este filme a favor da vida. Tínhamos duas alternativas: acreditar que seria impossível mesmo ou seguir em frente com o projeto. Seguimos em frente e o filme está aí. Se você acredita que pode fazer algo que será bom para alguém, apesar de todas as dificuldades, avance, vá à luta. Pode demorar um pouco, mas, se você não desistir, acontecerá. Tenha fé e trabalhe. A espiritualidade superior estará sempre do lado daqueles que querem praticar o bem. Para nós, se conseguirmos salvar uma vida, valeu tudo o que fizemos.


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