A Descoberta da Mediunidade


Por: Rafaela Paes


Eu era só uma menina quando ouvi, hoje já nem me lembro de quem, de que possuía mediunidade. Jeito diferente de começar um artigo, não é?! Pois é, hoje é mais um bate papo do que um artigo esclarecedor, afinal de contas, eu também estou me descobrindo.


Na época, pouca importância eu dei. Criada em lar católico, o Espiritismo era um passo rumo ao desconhecido. Mas coisas aconteciam. Eu, criança, falando de assuntos pessoais de adultos (que eu desconhecia), foi o primeiro “sintoma”. Me olhavam e falavam: como ela pode saber disso? Não era sempre... Passou.


Cresci e cheguei à adolescência. A partir daí entendi que parte da minha família era Espírita, e assim comecei a me interessar, mas confesso, de forma superficial. Lia romances! Meu primeiro? Violetas na Janela. Saudades dele... Deveria ler de novo. Eu não tinha base doutrinária nessa época. Devorava romances pela magia das histórias, pensando como adolescente mesmo.


Acontece que, nessa época, eu dizia que era Espírita, e isso incitava meus amigos a me fazerem perguntas sobre o tema, que inexplicavelmente eu respondia. Como sabia? Não sei! A sensação era a de que eu sabia, mas “conscientemente” não, eu não sabia.


Mas nem tudo foram flores. Eu era irritadiça ao extremo, sem nenhuma paciência. Medrosa, vivia atormentada não sei com o que. Chorava demais, me deprimia e ia à euforia em questão de minutos. Eu era um furacão. Tudo era aflorado demais, o que era bom e o que era ruim.


Você precisa desenvolver a sua mediunidade, Rafaela! Ouvia muito isso. Mas fugi. Fugi por longos 30 anos. As desculpas eram as mais diversas: falta de tempo, hoje não dá. Começa a ir a um Centro, parava na outra semana. Reforma íntima? Nossa, de novo essa história? Isso demanda tempo, e fazendo faculdade não dá. Mediunidade precisa de dedicação, e agora eu não posso. A lista é quase infinita... E os problemas continuavam.


O que eu não sabia, era que a Espiritualidade está o tempo todo conosco, influenciando-nos para o bem ou para mal. Alguns nos pedem socorro. A desestabilização é inevitável àquele que não se dá conta da grande responsabilidade que possui.


Finalmente decidi que precisava estudar, que precisava entender como tudo funcionava e como deveria ser feito. Confesso, sem nenhuma vergonha, que fui pela dor, pelo cansaço psicológico de não saber lidar comigo, pela angústia incessante da ansiedade.


“A mediunidade é um dom, senão um estado natural de todos os espíritos encarnados e desencarnados, ignorantes e iluminados, em toda a gama evolutiva” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Primeiro passo que precisei dar, muito bem explicado na passagem acima, do Livro Médiuns: deixar de me sentir “importante e especial” porque era médium. Somos todos médiuns. Pode ser visto como um dom, mas também é uma qualidade inerente aos seres materiais ou espirituais. Vença seu orgulho e sua prepotência, me disse o início da Reforma Íntima.


“Todo médium é falível. É por este motivo que Jesus nos pede para vigiar e orar. Todos estamos na escola, precisando de disciplina. O médium ciumento se isola da luz, que o procura incessantemente. Cada um deve trabalhar dentro de si, visando o bem de todos. Candidatar-se a médium ou querer desenvolver as faculdades mediúnicas, a muitos parece buscar um lugar de magnitude, de destaque nas hostes doutrinárias. Porém, se conhecermos as diretrizes verdadeiras traçadas pelo Divino Amigo, teremos outras ideias” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Segunda lição: mediunidade não é prêmio, é doação ao próximo, é caridade, e em nenhum momento pode estar revestida de interesses escusos, como uma posição de destaque dentro do seu grupo social. Ser médium não te torna nenhum pouco especial! Trabalha, é para isso que está aqui!


“O médium é um instrumento, de onde poderão ser tirados acordes da mais alta significação, desde que ele se afine em toda a sua estrutura. Conforme o tipo de melodia ampliada por ele, certamente inspira milhares de outras, multiplicando até o infinito as suas qualidades, sem dar tempo às sombras, sem se acomodar com o que já fez. A esse tipo de medianeiro, será dado mais. No entanto, àquele que a inércia fez adormecer por inúmeras conveniências e, ainda mais, por crime de ter pouco em relação a outros, até mesmo o que já tinha lhe será tirado, porque a sua própria disposição negativa entorpece o que já era seu” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Pois é... A terceira lição que aprendi, veio pela dor também! Se já fez algo, isso não chega nem perto do muito que pode fazer. Não há tempo para comodismo. Vigia e ora, emana o que há de bom em ti, e não deixe que os maus pensamentos de você tomem conta. Mediunidade não é presente, é obrigação de oferta. A quem muito foi dado, muito será cobrado, nos ensina o Evangelho.


“O médium que não estuda adormece nos braços da ignorância e perde o caminho da verdade e da vida, até que o tempo, pela explosão da dor, o acorde. Se já trouxestes, ao nascer, a faculdade grandiosa de servir como instrumento para que os espíritos possam falar aos homens das verdades eternas e soberanas, eis a vossa oportunidade de ajudar, de emprestar a vós mesmos, de sorte que inteligências invisíveis falem aos que sofrem, aos encarcerados nas cadeias e nos vícios, aos desesperados, aos familiares aflitos, aos jovens sem rumo, aos velhos cansados, aos homens de negócios, aos ricos e pobres, grandes e pequenos” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Outra pérola aprendida: Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Mediunidade demanda estudo e dedicação. Mediunidade é doação, e nos doamos em tudo. Conhecer a nós mesmos é o primeiro passo nessa gama de estudos a que devemos nos propor. Autoconhecimento é poder, poder de controlar o que há de ruim, melhorar e evoluir. Aprender nunca é demais, e esta é mais poderosa ferramenta que o médium possui.


Sobre o primeiro ensinamento acima citado, nos traz (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez): “A vossa meta já se encontra definida. Nascestes para servir. E se por ventura alguns medianeiros, influenciados pela vaidade, quiserem que os outros reconheçam neles a marca de servidores da coletividade, fazei o que o Cristo aconselha aos Seus discípulos [...] amai-vos uns aos outros, como Ele nos amou. Se o pedido constitui peso para a vossa conduta em formação, pelo menos esforçai-vos em amar, mas começai exercitando outras virtudes mais leves até chegar a este dom maior por excelência, que configura a presença de Deus nos corações dos iniciados na verdadeira caridade”.


Ame servindo àqueles que o procuram precisando de um ouvido, de um ombro, de uma palavra amiga. Sirva ao teu próximo com respeito e amor, jamais colocando-se em posição superior a ele, mas sim, em posição de humildade, a mais linda forma de amor que podemos perceber nessa vida.


“A mediunidade é um instrumento, senão uma luz que nos clareia a todos, quando a inteligência se irmana com o coração, para usá-la em favor do bem comum, sem exigências de forma alguma. A mente disciplinada favorece o intercâmbio das almas afins. Todos nós, encarnados e desencarnados, somos médiuns por natureza divina e humana. O modo pelo qual nos comportamos é que marca o grau das faculdades que possuímos” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Vigia, médium! Aprenda disciplinar sua mente a compreender a grande oportunidade a que está exposto, podendo usar-se como instrumento de auxílio a encarnados e desencarnados. Vigia, não se deixando contaminar por sentimentos menores. Tenha em mente sempre, que a vida é uma dádiva a nós todos concedida, objetivando nossa melhoria e a melhoria daqueles que cruzam o nosso caminho.


“A expansão da mediunidade é sem limites, por todos os meridianos. Jesus mostrou aos Seus primeiros acompanhantes a universalidade do Cristianismo, conversando com a samaritana, protegendo a mulher adúltera e comendo com os chamados ímpios, abençoando a todos como Pastor do grande rebanho. A mediunidade aflorada é prenúncio de grandes trabalhos e, principalmente, de renovação interior. O esforço redunda na limpeza dos canais por onde deverá passar a mensagem do Mestre a todas as criaturas” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Roteiro a seguir? Não existe! Como tudo nessa vida, cada um de nós decide pelos caminhos em momentos diferentes, aprende de formas diferentes e absorve o que aprende de forma mais diferente ainda. Se eu pudesse aconselhar um caminho inicial, eu aconselharia a Reforma Íntima, que foi o que me deu a serenidade e o entendimento íntimo que eu precisava para iniciar nas trilhas da mediunidade. Mas lembrem-se, Reforma Íntima dói e demora! Exercitem a paciência.


Não se preocupem em descobrir qual a sua mediunidade...

Não se ocupem tentando entender porque o coleguinha que começou a ir ao estudo com você já realiza trabalhos mediúnicos e você não...

Mediunidade não é só psicografar, ouvir, ver, incorporar, curar.

Você pode ser médium sorrindo para um estranho na rua, dando um bom dia, sem saber que ele precisava dessa atitude para ter um dia melhor.

Você pode ser médium ouvindo com paciência e atenção à quem precisa falar.

Você pode ser médium falando com quem precisa ouvir!


“Ide, médiuns de todas as nações. Batizai em nome de todos os poderes da vida: o valor do perdão, a presença da caridade e o trabalho que estimula o progresso, que estarei sendo médiuns de Cristo, sentindo Deus com o cântico dos Anjos” (João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez).


Boa trilha a todos nós!

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