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A luz da oração pelos desencarnados

  • 26 de fev.
  • 3 min de leitura

Por: Sthephannie Silva

 

O medo da morte é uma das emoções mais antigas da Humanidade. Mesmo com o avanço do conhecimento, muitos ainda se inquietam diante da ideia de deixar o corpo físico, e esse temor nasce em grande parte da incerteza sobre o desconhecido, do apego às experiências materiais e da falta de compreensão sobre a continuidade da vida.


A Doutrina Espírita esclarece que a morte não é um fim, mas uma passagem, um retorno do Espírito à Verdadeira Pátria no Mundo Espiritual, que é sua morada natural. A transição pode ser vivenciada de maneiras muito diferentes, conforme o grau de preparo moral e emocional de cada um.


A prece é uma invocação mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação. Podemos orar por nós mesmos ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces feitas a Deus escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades” (KARDEC, 2023, p 289).


Muitos desencarnados, especialmente aqueles que partiram de forma repentina, vivem em desequilíbrio ou têm pensamentos densos, por isso, a chegada ao Plano Espiritual pode ser marcada por confusão, medo e desorientação e, nesses casos, a oração é um recurso valioso, funcionando como um elo luminoso entre os dois planos da vida.


Jesus definiu claramente as qualidades da prece. “Quando orardes, diz Ele, não vos ponhais em evidência; antes, orai em secreto. Não afeteis orar muito, pois não é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas. Antes de orardes, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, visto que a prece não pode ser agradável a Deus, se não parte de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade” (KARDEC, 2023, p 287).


Quando oramos por alguém que partiu, enviamos vibrações de amor, serenidade e amparo que alcançam diretamente o Espírito, independentemente da distância vibratória ou da situação em que esteja. Entretanto, as orações, ao contrário do que muitos pensam, não têm o poder de mudar o merecimento ou o planejamento Espiritual de um desencarnado, pois a justiça Divina segue Leis sábias e perfeitas.

 

658. Agrada a Deus a prece?

“A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para Ele, a intenção é tudo. Assim, preferível Lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração. Agrada-Lhe a prece, quando dita com fé, com fervor e sinceridade. Não creiais, porém, que toque a Deus a prece do homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que signifique, de sua parte, um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade” (Kardec, 2022, p 250).

 

Porém, elas podem suavizar dores, aclarar percepções, fortalecer a fé e auxiliar Equipes Espirituais a socorrer aqueles que se encontram em sofrimento, funcionando como verdadeiros bálsamos energéticos que reduzem a angústia, acalmam a mente e facilitam o despertar da consciência no Mundo Espiritual.


Para Espíritos que estão sendo tratados em Colônias Espirituais ou Postos de Auxílio, a oração chega como um reforço vibratório que aumenta sua disposição íntima de aceitar cuidados, refletir sobre a própria vida e seguir adiante em seu processo de evolução. Já para aqueles que se encontram presos a sentimento de culpa, medo ou apego à matéria, a prece atua como um chamado suave, convidando-os a confiar na Misericórdia Divina.


Além disso, a oração tem um efeito duplo, enquanto beneficia o desencarnado, transforma o coração de quem ora; ao elevarmos os nossos pensamentos em direção ao bem, desenvolvemos empatia, resignação e compreensão da Vida Espiritual: o medo da morte diminui quando percebemos que a existência não termina com o corpo e que o amor permanece como a ponte eterna entre os mundos.

Até o presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exalçou como poderosa alavanca e porque o tem considerado apenas como chefe de uma religião. Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação” (KARDEC, 2023, p 237).

 

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Referências:

1- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.

2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.




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