Reencarnação



Por: Rafaela Paes


As questões ligadas à reencarnação não foram trazidas, pela primeira vez, pelo Espiritismo. “O Espiritismo, decorrendo de uma lei natural, deve existir desde a origem dos tempos e nos esforçamos sempre em provar que se encontram traços dele desde a mais alta antiguidade.” (Kardec, 2009, p. 97). Entretanto, com o advento da Doutrina dos Espíritos, as questões concernentes à reencarnação foram renovadas, apresentando-se de forma mais racional e em consonância com as leis de progresso existentes na natureza (Kardec, 2009, p. 97).


Já nos dizia sobre a reencarnação nosso Mestre e irmão mais velho, Jesus em o Evangelho Segundo João, capítulo III: “Jesus, respondendo a Nicodemos, disse: Em verdade, em verdade te digo, que se um homem no nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer uma segunda vez? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se um homem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te espantes do que te disse: É preciso que nasçais de novo”.


O Capítulo 4 de “O Livro dos Espíritos” ocupa-se inteiramente das questões da Pluralidade das Existências, e é sobre ele que nos basearemos para as explicações hoje inseridas neste artigo.


Inicialmente, tem-se a questão 166, que ensina que “a depuração da alma que ainda não conseguiu alcançar a perfeição, é feita por meio das reencarnações e as suas provas. As reencarnações são muitas e, aos poucos, a depuração vai acontecendo e as transformações vão se instalando no Espírito” (Kardec, 2009, p. 82). Muitas reencarnações, porém, não há número exato, haja vista que conforme a ensina a questão 167 “a cada nova existência o Espírito dá um passo no caminho do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida corporal” (Kardec, 2009, p. 82). Sendo assim, explicam ainda os Espíritos na questão 169 que a quantidade de encarnações é diferente para cada um, haja vista que “aquele que caminha depressa se poupa das provas. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito” (Kardec, 2009, p. 83).


Quanto aos objetivos das reencarnações, a questão 167 explica que eles são “a expiação e o aprimoramento progressivo da Humanidade” (Kardec, 2009, p. 82) e, ainda na questão 170, determina que “quando o Espírito se torna bem-aventurado e puro, esta é sua última encarnação” (Kardec, 2009, p. 83).


Nesse sentido, a questão 171 nos traz que a reencarnação está baseada “sobre a justiça de Deus e a revelação, pois, repetimos sempre: um bom pai deixa sempre aos seus filhos uma porta aberta ao arrependimento. Não lhe diz a razão que seria injusto privar para sempre, da felicidade eterna, todos aqueles cujo progresso não dependeu deles mesmos? Não são todos os homens filhos de Deus? Somente entre os egoístas se encontram a iniquidade, o ódio implacável e os castigos sem perdão” (Kardec, 2009, p. 83).


Prossegue o Livro dos Espíritos nos ensinando na questão 172 que “nem todas as nossas encarnações se deram ou sempre se darão sobre a Terra, entretanto, ensinam que a que passamos neste globo não é a primeira, nem a última, e é uma das mais materiais e das mais distanciadas da perfeição” (Kardec, 2009, p. 84). Portanto, extrai-se já ainda da questão 173 a informação de que “a alma pode reviver diversas vezes sobre o mesmo globo enquanto não for avançada o suficiente para passar para um mundo superior” (Kardec, 2009, p. 84).


Interessante informação nos traz na questão 177, onde se pergunta se “para atingir a perfeição, o Espírito precisa passar por todos os mundos existentes, ao que se responde que não, pois, há diversos mundos que se encontram igualados em nível, e para o Espírito não teria sentido passar por eles todos” (Kardec, 2009, p. 84).


Quando à possibilidade de reviver corporalmente num mundo inferior ao que já se viveu, a questão 178 nos faz entender que “pode ocorrer se houver a necessidade de cumprimento de uma missão que ajude o Espírito em seu progresso, o que é muito felizmente aceito por ele” (Kardec, 2009, p. 85). Além disso, informam que “os Espíritos podem permanecer estacionários, mas não retrogradam; a sua punição, pois, é a de não avançar e de recomeçar as existências mal empregadas num meio conveniente à sua natureza” (Kardec, 2009, p. 85).


Os Espíritos que habitam um mesmo mundo não se encontram todos com o mesmo grau de perfeição, conforme ensina a questão 179 (Kardec, 2009, p. 85) e, quando passam de um mundo para o outro, conservam sua inteligência, mas eles não disporão nem sempre dos mesmos meios que um dia já tiveram para que essa inteligência se manifeste, o que dependerá de sua superioridade e das condições de seu novo corpo, conforme aduz a questão 180 (Kardec, 2009, p. 85).


Tidas tais explicações de cunho básico e resumido acerca da reencarnação, extrai-se que sua principal função é a evolução, e sua beleza é a justiça de Deus se abrindo aos nossos olhos.


Tudo o que hoje vivemos foi pensado perfeitamente para nós, e a nós, cabe a incessante paciência diante dos diferentes, cabe-nos amar sem julgamentos, dar sem esperar de volta. O objetivo é evoluir, portanto, que nos mínimos detalhes da vida, enxerguemos a oportunidades de assim proceder.


Encerro, portanto, com linda mensagem enviada por Emmanuel, tratando do seio familiar, onde, comumente, encontram-se nossas maiores provas nesta vida:


Em casa, ninguém foge à lei da reencarnação


Ontem, atraiçoamos a confiança de um companheiro, induzindo-o à derrocada moral.

Hoje, guardamo-lo na condição do parente difícil, que nos pede sacrifício incessante.

Ontem, abandonamos a jovem que nos amava, inclinando-o ao mergulho na lagoa do vício.

Hoje, temo-la de volta por filha incompreensiva, necessitada do nosso amor.

Ontem, colocamos o orgulho e a vaidade no peito de um irmão que nos seguia os exemplos menos felizes.

Hoje, partilhamos com ele, à feição do esposo despótico ou de filho-problema, o cálice amargo da redenção.

Ontem, esquecemos compromissos veneráveis, arrastando alguém ao suicídio.

Hoje, reencontramos esse mesmo alguém na pessoa de um filhinho, portador de moléstia irreversível, tutelando-lhe, à custa de lágrimas, o trabalho de reajuste.

Ontem, abandonamos a companheira inexistente, à mingua de todo auxílio, situando-a nas garras da delinquência.

Hoje, achamo-la ao nosso lado, na presença da esposa conturbada e doente, a exigir-nos a permanência no curso infatigável da tolerância.

Ontem, dilaceramos a alma sensível de pais afetuosos e devotados, sangrando-lhes o espírito, a punhaladas de ingratidão;

Hoje, moramos no espinheiro, em forma de lar, carregando fardos de angústia, a fim de aprender a plantar carinho e fidelidade.


À frente de toda dificuldade e de toda prova, abençoa sempre e fazes o melhor que possas. Ajuda aos que te partilham a experiência, ora pelos que te perseguem, sorri para os que te ferem e desculpa todos aqueles que te injuriam.


A humildade é chave de nossa libertação. E, sejam quais sejam os teus obstáculos na família, é preciso reconhecer que toda construção moral do Reino de Deus, perante o mundo, começa nos alicerces invisíveis da luta em casa”.


Paz a todos!


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Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - 182ª edição, 2009 - IDE

XAVIER, Francisco Cândido - Luz no lar. Pelo Espírito Emmanuel. 1968. Disponível em: bvespirita.com/Luz%20no%20Lar%20(psicografia%20Chico%20Xavier%20-%20espiritos%20diversos).pdf - Acesso em: 24 de abril de 2019.

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